Corsan recria rede de abastecimento no ambiente digital para antecipar ocorrências

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Tecnologia funciona como uma espécie de “SimCity” da água: gêmeo digital acompanha o comportamento da infraestrutura real e ajuda a orientar a atuação das equipes

Da estação de tratamento até chegar às torneiras, a água percorre reservatórios, bombas e quilômetros de tubulações que, em grande parte, não são percebidos pela população. Em Alvorada e Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, essa infraestrutura ganhou uma versão digital. A Corsan passou a utilizar uma tecnologia que recria virtualmente o sistema de abastecimento para acompanhar seu funcionamento e antecipar situações que possam afetar a distribuição de água.

A lógica lembra a dos jogos de simulação de cidades, como o SimCity, nos quais estruturas do mundo real são reproduzidas no ambiente virtual para observar seu funcionamento. No gêmeo digital utilizado pela Corsan a lógica é parecida, porém, a representação está conectada à operação: informações coletadas em campo alimentam o modelo e permitem acompanhar variáveis como pressão, vazão e níveis dos reservatórios.

Assim, a Companhia passa a ter uma espécie de espelho digital da infraestrutura física. Quando o comportamento real se distancia do esperado, a ferramenta ajuda a identificar onde pode estar a alteração e dá às equipes mais informação para decidir como e onde atuar.

O projeto começou em setembro pelo sistema integrado Alvorada-Viamão, responsável pelo abastecimento de mais de 430 mil pessoas e formado por 1.235 quilômetros de redes de distribuição.

“O sistema Alvorada-Viamão foi escolhido para iniciar esse trabalho pelas características da sua infraestrutura e pelo adensamento populacional dos dois municípios. É uma operação complexa, que atende mais de 430 mil pessoas e nos permite avaliar a tecnologia em uma estrutura de grande escala. O aprendizado desse piloto também será importante para avançarmos com a modelagem em outros sistemas”, explica Vitor Hugo Gabriel, diretor de operações da regional leste.

Quando o digital ajuda a enxergar o que acontece na rede
Um exemplo ajuda a entender a aplicação. Se, em condições normais, um reservatório leva 12 horas para esvaziar e passa, repentinamente, a fazê-lo em menos tempo, o modelo identifica que o comportamento saiu do padrão. A alteração pode indicar um vazamento, um rompimento de rede ou outra ocorrência que precisa ser investigada.

Os dados podem gerar alertas para o Centro de Operações Integradas (COI), que funciona 24 horas. A partir deles, as equipes conseguem direcionar a investigação e agir com mais rapidez, reduzindo o risco de que a ocorrência evolua e comprometa o abastecimento.

A modelagem também auxilia no controle das pressões da rede, na redução das perdas de água e no uso mais eficiente de energia. As informações geradas ajudam ainda a planejar intervenções e direcionar recursos para os pontos onde são mais necessários.

A Corsan está investindo cerca de R$300 mil na implantação da tecnologia.

Tecnologia avança para outras cidades

Depois de Alvorada e Viamão, a modelagem hidráulica avança para outros municípios atendidos pela Corsan. Rio Grande, Santa Cruz do Sul e Alegrete estão com seus sistemas em estruturação, enquanto Passo Fundo tem a conclusão da implantação prevista para o fim deste mês. Entre as demais operações da Aegea no país, as unidades de Santa Catarina estão no mesmo estágio da Companhia na adoção do gêmeo digital.

A iniciativa integra o processo de digitalização e automação da operação da Corsan e amplia a capacidade de acompanhar uma infraestrutura que funciona 24 horas por dia e, em grande parte, está debaixo da terra ou distante dos olhos da população.

“Estamos tornando visível, por meio da tecnologia, uma infraestrutura que as pessoas normalmente não enxergam. Ao recriar nossos sistemas no ambiente digital, conseguimos conhecer melhor seu comportamento, simular cenários e antecipar situações que exigem atenção. É uma nova forma de operar o saneamento, usando informação para agir com mais precisão e proteger a continuidade de um serviço essencial para as cidades”, afirma Samanta Takimi, presidente da Corsan.