Rio Grande do Sul desenvolve tecnologia inédita para aumentar eficiência das obras de saneamento

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Equipamento criado pela Corsan em parceria com a Masal Indústria e Comércio reúne diferentes funções em uma única estrutura, e poderá ser utilizado em outros estados brasileiros
Uma tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul poderá tornar obras de saneamento mais rápidas e reduzir os impactos das intervenções nas cidades e no meio ambiente. Apresentado nesta terça-feira (11), em Canoas, o equipamento multifuncional criado pela Corsan em parceria com a indústria gaúcha Masal Indústria e Comércio reúne, em uma única estrutura móvel, ferramentas utilizadas em diferentes etapas das obras e manutenções das redes de água e esgoto.

Ao concentrar atividades que hoje exigem o transporte separado de equipamentos, a solução reduz deslocamentos e o consumo de combustível, com potencial para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, como o CO₂, associadas à operação. A tecnologia está em fase de testes na Região Metropolitana de Porto Alegre.

O projeto integra a estratégia da Corsan para aumentar a produtividade e acelerar a expansão do saneamento no Estado. Desde o início da operação privada, em 2023, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto passou de 19% para cerca de 30%. A meta é chegar a 90% até 2033.

Um canteiro de obras sobre rodas

Instalado sobre uma carreta, o equipamento reúne retroescavadeira, caçamba articulada com compartimentos independentes e conexões pneumáticas para compactador, cortador de asfalto, soprador e prancha para movimentação de materiais. Com isso, uma mesma equipe pode executar diferentes etapas do serviço em um único deslocamento, reduzindo a logística e o tempo de intervenção nas vias.

“Hoje, uma intervenção pode exigir a mobilização de diferentes equipamentos para executar etapas como escavação, corte de asfalto, compactação e movimentação de materiais. Com essa solução, reunimos essas funções em uma única estrutura. Isso aumenta a produtividade, reduz a logística e permite concluir os serviços e liberar as vias mais rapidamente para a população”, explica o diretor de Operações da Corsan, José João da Fonseca.

Após a validação operacional, a previsão é produzir de 100 a 150 unidades para a Corsan. Comprovada a eficiência, a tecnologia poderá ser adotada também por outras concessionárias do Grupo Aegea, levando uma solução concebida e fabricada no Rio Grande do Sul para operações em outros 15 estados brasileiros.

Indústria gaúcha desenvolve soluções para o saneamento
O equipamento é resultado de uma estratégia de aproximação da Corsan com a indústria gaúcha para transformar desafios da operação em novas tecnologias.

A mesma lógica está por trás das Estações Móveis de Tratamento de Esgoto, desenvolvidas em parceria com quatro empresas do Estado. A tecnologia modular permite reduzir para cerca de quatro meses um processo que, em uma estação convencional, pode levar até três anos entre projeto e entrada em operação.

Também integra essa estratégia o Parque de Infraestrutura e Inovação, em Esteio, que reúne fábrica de tubos, usina de asfalto, laboratório de solos e usina de sulfato de alumínio para ampliar a autonomia e acelerar a execução das obras.

“Quando a indústria e o setor de infraestrutura trabalham juntos, conseguimos transformar necessidades reais da operação em soluções concretas. Este equipamento reúne engenharia, tecnologia e conhecimento produzidos no Rio Grande do Sul e tem potencial para ganhar escala e chegar a outras operações de saneamento no país”, afirma o presidente da Masal, Cláudio Bier.

Tecnologia gaúcha com potencial nacional

Para a presidente da Corsan, Samanta Takimi, as parcerias ampliam o alcance dos investimentos realizados no saneamento.
“Universalizar o saneamento exige escala, velocidade e capacidade de inovar. O Rio Grande do Sul reúne conhecimento técnico e uma indústria capaz de desenvolver conosco soluções que tornam as obras mais rápidas, eficientes e com menor impacto ambiental. Ganha a população, com a antecipação dos benefícios do saneamento; ganha o meio ambiente; e ganha a indústria gaúcha, que desenvolve tecnologias com potencial para serem aplicadas em outras regiões do país”, destaca.