A Corsan realizou, na manhã desta terça-feira, 25 no bairro João Goulart, em Santa Maria, um treinamento preventivo para situação de emergência causada pela Barragem DNOS, onde a Companhia faz a captação de água para tratamento. A simulação fez parte da programação da 1ª Semana Santa Maria Cidade Resiliente.
A movimentação começou às 9h, na Rua Ivorá, em frente à Escola Municipal de Ensino Fundamental Oscar Grau, um dos pontos definidos para encontro da população em caso de necessidade. Perto das 10h, a sirene tocou e começaram a ser enviadas mensagens sonoras de orientação aos moradores sobre a desocupação e o deslocamento para o ponto de encontro, seguindo as placas indicativas de rotas de fuga.
Idosos, crianças e pessoas com problemas de mobilidade foram resgatados por um micro-ônibus e levados até a escola. Os últimos moradores a chegar ao local levaram 11 minutos. Já as pessoas com boa mobilidade fizeram o trajeto a pé.
A simulação seguiu as normas e estratégias estabelecidas pelo Plano de Ação de Emergência de Segurança das Barragens, elaborado pela empresa Geometrisa, contratada pela Corsan. As regras foram estipuladas com base no plano de emergência nacional, instituído pela Lei Federal 12.334/2010 e alterado pela Lei Federal 14.066/2020.
Plano de ação e segurança
“Esses simulados abrangem toda a zona de impacto e de influência da barragem para o caso de acontecer alguma emergência. É um trabalho de prevenção, pautado na legislação nacional de política de barragens, a partir de estudos técnicos que identificaram os pontos de autossalvamento mais próximos para onde a população deveria se deslocar para ser protegida pela Defesa Civil”, explicou a gerente de relações institucionais da Corsan em Santa Maria, Andréia Zanini.
De acordo com o responsável técnico pelas barragens da Corsan, Paulo Rosat, a Barragem DNOS atinge 25 metros de altura no seu ponto mais alto e tem um vertedouro que escoa o excesso de água de maneira segura quando o reservatório está cheio. O engenheiro pediu aos alunos da Escola Oscar Grau e aos moradores do entorno que não divulguem nenhuma notícia relacionada à represa que não seja originada pela Corsan. “Toda a condição de segurança da barragem vai ser dada sempre pela Companhia. Não acreditem em fake news e aguardem informações oficiais da empresa”, reforçou Rosat.
O engenheiro ressaltou que a Corsan atende a tudo o que a lei exige e verifica, a cada 60 dias, 50 itens de segurança de barragens. Também realiza uma inspeção maior, uma vez por ano, além de monitorar a Barragem DNOS 24 horas por dia pelo sistema de telemetria – ferramenta tecnológica que possibilita o acompanhamento permanente à distância e em tempo real das estruturas da Companhia.
O diretor técnico da Geometrisa, Euclydes Cestari, explicou que o primeiro passo do Plano de Ação de Emergência de Segurança das Barragens foi cadastrar todos os moradores em volta do Rio Vacacaí Mirim, onde é captada água pela Corsan.
“Se algum dia houver qualquer incidente, saberemos quem são as primeiras pessoas a serem retiradas do local. Todas as estruturas são monitoradas e fiscalizadas. Precisamos ter um plano de segurança para termos tranquilidade. No Brasil, temos duas leis de segurança de barragens muito inteligentes, porque definem os papéis das empresas, da Defesa Civil e da população”, disse ele.
Cidade Resiliente

A 1ª Semana Santa Maria Cidade Resiliente começou segunda-feira, 24, e vai até sábado, 29, com programação envolvendo temas sobre prevenção, educação e preparação para o enfrentamento de desafios climáticos. Ao falar para a população que participou treinamento, o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, Edson das Neves Júnior, enfatizou que a Defesa Civil e a prefeitura estão atentas à segurança coletiva.
“Vivemos num mundo de mudanças climáticas, e gostaria de tranquilizar a todos que temos grandes profissionais olhando pelas comunidades e pensando diuturnamente na segurança das pessoas. Mas para tudo em que queremos nos aperfeiçoar, é preciso treinamento, inclusive para situações de emergência, como estamos fazendo hoje”, afirmou.
O coordenador da Defesa Civil Estadual, major Lacerda, enfatizou que toda população precisa saber como se proteger em uma situação de emergência – por isso, a importância de aqueles que participaram da simulação levar as informações a quem não esteve presente.
A vice-prefeita de Santa Maria, Lúcia Madruga, lembrou que a cidade está localizada onde acontecem muitos eventos climáticos e os santa-marienses precisam estar preparados para agir, caso ocorra algum episódio. “Esse trabalho que estamos fazendo é para que haja informação sobre como e onde estar em segurança. Os moradores deste entorno não devem ficar alarmados, mas sim atentos às orientações”, salientou.
Na zona de autossalvamento desenhada para a cidade, onde residem cerca de 3 mil pessoas, foram organizados dez pontos de encontro para o resgate de moradores.
Dois outros simulados ocorreram nesta tarde, no bairro Pé de Plátano. Na quinta-feira, 26, novos treinamentos serão realizados para os moradores dos bairros KM 3, São José e Itararé, e na quinta-feira, 27, participam as comunidades de outras áreas dos bairros KM 3 e Pé de Plátano, além de Camobi.